Peles sintéticas Fiberskyn: Qual você prefere e por quê? - Por: Cássio de Fernando.

Peles sintéticas Fiberskyn: Qual você prefere e por quê? - Por: Cássio de Fernando.

 

Peles sintéticas Fiberskyn

Em outra ocasião, havia escrito sobre as vantagens de se adquirir peles sintéticas com relação às peles de couro animal, para instrumentos padronizados e, portanto, com esta opção no mercado. E para instrumentos de medidas e formas não convencionais, recomendei a troca de peles de couro animal por novas, caso se desgastasse com o tempo, mas não o tratamento.
Gostaria de falar um pouco mais sobre os tipos de pele sintéticas disponíveis, mais especificamente as peles sintéticas da Remo para congas. São excelentes, mas tenho uma preferência peculiar pelas Fiberskyns, cujos critérios passam por 2 fatores: a sonoridade em função de determinada linguagem de algum estilo/gênero musical; e a resistência. Vou direto ao ponto: tenho preferência por peles Fiberskyn, mas há no mercado 2 tipos: a Crimplock (Simmetry) e a Tucked. Qual é a diferença?
A diferença visual, a princípio, é que a primeira possui os aros aparentes, com a pele presa por pressão dos aros – veja figura 1.
 
Figura 1- Pele Remo Crimplock Fiberskyn para Conga.

 

 

A segunda, sua pele dá a volta no aro, que fica disposto internamente, fazendo a sobra de pele para cima, de modo que a tensão do aro da conga com a pele não tenha possibilidade de romper a mesma, como poderão observar na figura 2.
São excelentes peles, com a vantagem da Crimplock ser adaptável a várias congas existentes no mercado com dimensões que variam um pouco do padrão convencional adotado pela Remo,  porém, o modelo Tucked oferece maior resistência para altas tensões, evidentemente porque sua estrutura é bem mais forte devido a forma como a pele é empachada, ficando presa num aro interno, com o inconveniente apenas de não se ajustar a modelos de congas fora do padrão adotado.
 
Figura 2 - Pele Remo Tucked Fiberskyn para Conga.
 
 
Particularmente gosto da sonoridade dos tambores com pele de couro animal, de opens encorpados e slaps secos, mas as peles sintéticas também favorecem isto, sendo sua grande vantagem variar muito pouco a afinação das peles com as mudanças climáticas. E a tendência de muitos percussionistas ao afinarem suas congas é de apertarem ao máximo para se chegar numa afinação que pinte os slaps na forma desejada. E o que acaba ocorrendo nas Crimplocks é a pele se desprender do aro, como poderá ver na fotos nas figuras 3 e 4.
Um outro incoveniente ocorre em algumas congas com modelos de aro confort, ou seja, aros com forma arredondada: o aro das Crimplocks, que fica exposto, toca diretamente o metal dos aros das congas, podendo ocasionar harmônicos indesejáveis.
 
                                                        Figura 3 e 4 - Pele Remo Crimplock Fiberskyn danificada.
 
 
Portanto, minha preferência acaba sendo pelas peles de modelo Tucked que, em contrapartida, são mais raras de se achar no Brasil, por seu uso mais restrito a modelos padronizados advindos de marcas como Latin Percussion, Toca Percussion, Tycoon Percussion, Meinl Percussion e outras do setor que possuem seus tambores da linha profissional padronizados (requinto: 9” ¾; quinto: 11”; conga: 11” ¾; tumbadora: 12” 1/2).
Um fato interessante é que, no Brasil, há uma tendência de forçarem muito os tambores para afinações mais agudas, de forma que o requinto (aqui chamado de “quinto”) fique com a intenção do som de um timbal, por assim dizer (guardadas as devidas proporções de timbre e exagero linguístico), o que descaracteriza a origem do instrumento (seu uso, sonoridade e linguagem em Cuba). Cada lugar e cultura com sua sonoridade própria! Então, para isso, o mais indicado seria o uso do modelo Tucked, que aguenta maior tensão, mas, ser Fiberskyn ou Nuskyn, por questão de timbre, neste caso citado e na minha opinião, não faria muita diferença.
Ainda sobre os modelos de congas, há ainda linhas como a Aspire e/ou Headline, mais comerciais, que possuem outras medidas e a Remo também criou series de tamanhos específicos para estas congas, que são líderes de mercado, por conta de seu preço mais acessível. Bem como há outras medidas especiais, como a dita “supertumba”, bastante variável, cujo padrão adotado pelas marcas que a fabricam ficam em torno de 13” – os tambores da série Mariano, da Gon Bops, por exemplo, variam totalmente do mercado, e sua supertumba chega a 13” ¼, portanto, fora de padrão. Veja mais a respeito desta série da Gon Bops em: <http://www.gonbops.com/congas/mariano-series>.
Assim, a maior dificuldade encontrada pelo percussionista ao adquirir um determinado instrumento é ficar refém das peças de reposição que o mercado oferece, não tendo muita opção depois (isto acontece também com os bongôs).
Espero ter sido claro quanto a minha opinião que, friso, é particular e não deve ser tomada como uma norma. Há quem discorde e ache profícuo o tratamento de pele animal, por exemplo. Fica a critério de cada um, a despeito das minhas impressões sobre o assunto.
 
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Referências:
De Fernando, Cássio. Tratamento de Pele Animal Versus Peles Sintéticas. Mundo Percussivo. Disponível em: . Acesso em: 18 fev. 2013.
Gon Bops. Mariano Series Congas. Disponível em: < http://www.gonbops.com/congas/mariano-series>. Acesso em: 18 fev. 2013.
Latin Percussion. Congas. Disponível em: < http://www.lpmusic.com/en-BR/>. Acesso em: 18 fev. 2013.
Meinl Percussion. Congas. Disponível em: . Acesso em: 18 fev. 2013.
Remo. Drumheads – World Percussion. Disponível em: . Acesso em: 18 fev. 2013.
Tycoon Percussion. Congas. Disponível em: . Acesso em: 18 fev. 2013.
 
Cássio de Fernando - www.cassiopercussao.blogspot.com
 
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